Cuidar da saúde mental: por onde começar?
- Thiago Cunha Melo
- 20 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de set. de 2025
Nem sempre o sofrimento aparece com nome. Às vezes, cuidar começa no silêncio — ou no incômodo que insiste.

Um gesto íntimo e silencioso
Cuidar da saúde mental é um daqueles temas que todo mundo já ouviu falar — mas que, na prática, ainda levanta muitas dúvidas. Afinal, o que isso significa? É procurar terapia? Meditar? Dormir melhor? Diminuir o ritmo? Falar sobre sentimentos? Talvez tudo isso. Ou talvez algo mais simples: escutar o que está te incomodando, de verdade.
Cuidar da saúde mental não é só uma frase bonita para dias difíceis. É um gesto íntimo — e, muitas vezes, invisível.
Durante muito tempo, buscar ajuda foi visto como sinal de fraqueza. Freud, no início do século XX, enfrentou essa ideia ao mostrar que há algo legítimo em escutar o sofrimento, mesmo quando ele não é “claro” ou visível.
Hoje, o cenário mudou — mas nem tanto. Ainda há vergonha, resistência, dúvida.
Por onde se começa?
Não existe uma fórmula. Às vezes, começa quando o corpo dá sinais. Às vezes, quando a angústia não cede, mesmo com distrações.
Outras vezes, é algo vago: um mal-estar que aparece e desaparece, mas nunca vai embora de verdade.
Na psicanálise, chamamos de sintoma aquilo que insiste — mesmo quando tentamos não escutar. Ele fala, mesmo em silêncio, e pode se disfarçar de irritação, cansaço, angústia, ansiedade, bloqueio ou apatia.
Escutar-se não é simples — mas é possível
A escuta psicanalítica não busca consertar. Ela busca abrir espaço.
Espaço para o que não cabe em frases prontas. Para o que retorna como excesso, como incômodo, como repetição.
E escutar exige tempo. E tempo, hoje, é quase um luxo.
Vivemos pressionados a estar bem, a parecer em equilíbrio, a seguir funcionando. Mas há algo em nós que não se encaixa nesse script. E é esse algo que merece ser ouvido.
Um cuidado que não começa com respostas
Cuidar da saúde mental talvez não seja “resolver tudo”. Talvez seja permitir que certas coisas possam existir — sem pressa, sem maquiagem, sem autopunição.
Talvez seja criar um espaço em que não se precise fingir que está tudo bem. Um espaço onde até o silêncio tem valor.
E começar, por fim, pode ser justamente isso: aceitar o tempo da própria fala. Permitir-se existir — com falhas, afetos, pausas e perguntas.

