Terapia online funciona mesmo? O que você precisa saber
- Thiago Cunha Melo
- 20 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de set. de 2025
Escuta, presença e transformação — mesmo à distância.

Nos últimos anos, o atendimento psicológico online deixou de ser exceção e passou a ser parte da nova configuração do cuidado. Mas a pergunta continua pairando no ar: terapia online funciona mesmo?
A resposta curta é: sim, funciona. Mas como tudo que diz respeito à psique, a resposta completa é um pouco mais complexa — e interessante.
📍 A escuta não depende (só) do lugar
Freud, no início do século passado, já escrevia cartas a seus pacientes quando a presença física era impossível (inclusive muito se fala sobre a análise do Freud ter sido feita através de cartas com seu amigo Fliess). Mais do que o “olho no olho”, ele estava interessado naquilo que se transmite: os sintomas, os afetos, os lapsos, os desejos que se revelam na fala. A escuta analítica é construída no tempo da palavra, e isso pode — e tem sido — feito com profundidade no ambiente online.
Lacan, ao radicalizar a ideia de que "o inconsciente é estruturado como uma linguagem", reforça, entre outras coisas, que o que importa é o que se diz e como se diz — não se o outro está a um metro de distância ou por trás de uma tela. A presença do analista não é inerente ao corpo, mas à escuta.
💻 Mas não é tudo igual
Terapia online não é apenas pegar o mesmo modelo presencial e colocá-lo num aplicativo de chamadas. O enquadre muda, o ambiente muda — e o analista precisa estar preparado para sustentar a escuta nesse novo cenário.
É sobre isso que fala Antônio Quinet em "Análise Online". No livro, ele aponta que o digital não é um “mal necessário”, mas uma nova possibilidade de experiência analítica. A clínica online, segundo Quinet, exige responsabilidade, ética e adaptação — mas não perde o essencial: a chance de que o sujeito se escute e transforme algo de sua existência.
🤔 E para quem é?
A modalidade online pode ser uma porta de entrada para quem tem dificuldades de deslocamento, vive em cidades menores ou sente mais conforto no ambiente familiar. É especialmente útil para jovens e adultos que já estão habituados a interações digitais — e muitas vezes se sentem mais livres para falar quando não estão “presos” à formalidade do consultório físico. A cultura muda em um movimento sócio-histórico intermitente, e não há como escapar às suas marcas que nos modificam enquanto sujeitos...
Mas vale lembrar: o mais importante não é o meio, é o movimento. O desejo de falar, de se escutar, de atravessar aquilo que incomoda.
🌱 O essencial continua possível
Funciona, sim. Quando há escuta real, ética clínica e desejo de elaboração, a análise — mesmo online — pode ser um espaço potente de transformação.
Se você sente que é hora de olhar para dentro, mesmo que à distância, talvez esse seja um bom começo.


