Depressão não é só tristeza: é pedido de escuta
- Thiago Cunha Melo
- 3 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Nem sempre a tristeza tem motivo. Às vezes, ela apenas está: persistente, abafada, difícil de nomear. A psicanálise convida a escutar esse silêncio.

O que é a depressão para a Psicanálise?
Muita gente pensa na depressão como ausência: de vontade, de prazer, de energia. Mas na clínica, escutamos o contrário. É um excesso. De pensamentos, de culpa, de exigências, de um mal-estar que não passa.
A depressão não é só tristeza. Às vezes ela vem como cansaço, como irritação constante, como vontade de sumir. Ou como um vazio que não se explica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 300 milhões de pessoas convivem com a depressão no mundo. Só no Brasil, são cerca de 11,5 milhões. Mas nenhum número dá conta do que é viver isso por dentro.
Para a psicanálise, não há uma única resposta para a depressão. O que existe é uma escuta singular. Porque cada sujeito sofre de um jeito.
Freud, o criador da psicanálise, em seu texto Luto e Melancolia, escreveu que há dores que não seguem o tempo do luto comum. Quando a perda não é reconhecida, quando o desejo é abandonado, o sujeito pode se perder de si mesmo.
Lacan, psicanalista francês, propôs que a depressão pode surgir quando alguém se afasta do seu desejo. Quando vive apenas para corresponder às expectativas dos outros ou a ideais que nunca se realizam, a vontade de viver se esvazia.
Christian Dunker, psicanalista brasileiro, fala da depressão como um protesto subjetivo. Um grito silencioso diante de um mundo que exige felicidade o tempo todo, mas não escuta o que sentimos.
Na terapia de orientação psicanalítica, o foco não é apagar o sintoma. É escutá-lo. Porque o sintoma, por mais incômodo que seja, tem algo a dizer. E quando há espaço para falar, o sofrimento pode ganhar sentido, nome, direção.
Se você se sente assim, como se algo estivesse fora do lugar, saiba que há caminhos possíveis. A psicanálise não promete respostas prontas, mas oferece tempo, cuidado e presença para que a sua palavra encontre um lugar. E, aos poucos, para que a vida possa reencontrar desejo.


