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O que é a Psicanálise e o que ela tem a dizer sobre Saúde Mental?

  • Foto do escritor: Thiago Cunha Melo
    Thiago Cunha Melo
  • 15 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 2 de set. de 2025

Neste texto, você vai entender o que é a psicanálise, seu percurso histórico e como ela pode ajudar no enfrentamento de angústias, sintomas e sofrimentos psíquicos contemporâneos. Uma escuta que vai além dos diagnósticos e que leva a sério o sujeito.


Retrato artístico de Sigmund Freud em estilo clássico, com uma nuvem escura sobre sua cabeça — referência visual ao inconsciente, sua maior descoberta.

O que é a psicanálise?

A psicanálise nasce no final do século XIX, a partir da escuta clínica de um médico judeu vienense: Sigmund Freud, que trocaria os bisturis pelos lapsos de linguagem, os sonhos e os sintomas. Freud propôs algo radical: que nem tudo em nós é consciente, e que há forças psíquicas que atuam silenciosamente, influenciando desejos, escolhas, medos e repetições.

Esse campo desconhecido — o inconsciente — tornou-se o grande protagonista da psicanálise. A partir dele, Freud desenvolveu uma teoria da mente e uma prática de escuta que não visam ajustar o sujeito à norma, mas compreender sua singularidade.

Ao longo do século XX, outros nomes importantes, como Jacques Lacan, retomaram e ampliaram as ideias freudianas, dialogando com a linguística, a filosofia, a política e a cultura. A psicanálise, hoje, não é um método único nem fechado: é uma ética de escuta, um campo em constante elaboração. E ela continua viva, especialmente nas clínicas, onde o sofrimento se apresenta em formas que os manuais não dão conta de abarcar.


O mal-estar de estar no mundo

Vivemos tempos em que tudo precisa ter nome, sintoma, causa e solução imediata. Ansiedade, depressão, TDAH, burnout, borderline... os termos circulam nas redes e nas conversas como se fossem diagnósticos de bolso. Uma espécie de alívio na tentativa de dar sentido ao que dói. E sim, esses nomes ajudam, mas também podem aprisionar.

A psicanálise começa onde os rótulos terminam. Ela escuta o que escapa. Porque, para além do que se enquadra no CID ou no DSM, existe aquilo que não tem nome, mas pulsa, incomoda, repete. O inconsciente.


A escuta que não adoece o sujeito

Enquanto boa parte das abordagens busca "normalizar", a psicanálise caminha na direção oposta: ela legitima a singularidade do sofrimento. Não se trata de adaptar o sujeito ao mundo, mas de ajudá-lo a descobrir o que deseja, mesmo que esse desejo vá na contramão das expectativas sociais.

Freud — o criador da psicanálise — nos mostrou que o que não é dito se repete no corpo, nos relacionamentos, na rotina. E ainda que a ciência tenha avançado imensamente, os conflitos internos continuam ali, camuflados sob o nome de "transtorno", "crise de ansiedade", ou "fase difícil".


Sintomas que falam mais do que palavras

A pessoa diz que está cansada, mas dorme dez horas por noite. Diz que está feliz, mas chora quando ninguém vê. Está “funcionando”, mas algo não encaixa.

A psicanálise se interessa por esse desencaixe. Ela parte da ideia de que o sintoma é uma forma que o sujeito encontra para dizer o que não consegue dizer de outro modo. Como uma metáfora viva. Um sonho que se repete em vigília.

Por isso, o foco não está em eliminar o sintoma a qualquer custo — mas em escutá-lo. Em compreender o que ele revela sobre a história de quem o carrega.


E afinal, como a psicanálise pode ajudar?

Ao longo das sessões, a escuta psicanalítica não busca respostas prontas, mas abre espaço para que cada um construa as suas perguntas. É uma travessia que exige tempo, ética e compromisso. Não há receita, mas há direção: a de encontrar o que é mais íntimo e, ao mesmo tempo, mais desconhecido em cada um de nós.

Em tempos de excesso de informação e carência de escuta, a psicanálise oferece um espaço de pausa. De liberdade. Um espaço onde não se é avaliado, corrigido ou interpretado com pressa, mas escutado com seriedade.


A clínica como território ético

Não há cura universal, mas há possibilidade de transformação. E ela começa quando o sujeito se autoriza a falar. Na clínica, não se trata de ajustar o indivíduo a um padrão, mas de permitir que ele encontre formas mais vivas e singulares de habitar o próprio desejo.

Se você chegou até aqui procurando por sentido, talvez esteja na hora de escutar o que a pressa da vida não deixa dizer.



 
 
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