O que é a ansiedade para a psicanálise e quando devo procurar ajuda?
- Thiago Cunha Melo
- 13 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de set. de 2025
A ansiedade emerge hoje como um dos principais sintomas do nosso tempo. Mas o que ela revela sobre nós? Neste texto, você vai entender como a psicanálise compreende a ansiedade — e por que o caminho da escuta pode ser mais transformador do que o alívio imediato.

O tempo da pressa e o corpo que não acompanha
Vivemos num mundo que exige muito: produtividade, conexão, visibilidade, decisões rápidas. E, nesse ritmo, o corpo começa a sinalizar o que a alma não teve tempo de dizer. Taquicardia. Insônia. Irritabilidade. Tensão. Dificuldade para respirar. A ansiedade não bate à porta, ela invade.
Mas o que, de fato, está em jogo quando dizemos: “estou ansioso”?
O que é ansiedade para a psicanálise?
Para a psicanálise, a ansiedade não é apenas um desequilíbrio químico nem um distúrbio isolado. Ela é um afeto estruturante da existência humana, algo que todos, em algum grau, experimentamos.
Freud, o pai da psicanálise, já falava em uma “angústia sem objeto” — uma sensação de alerta que não sabemos nomear. Jacques Lacan, psicanalista francês, foi mais longe: disse que a ansiedade é o único afeto que não engana. Ela aparece quando algo está prestes a emergir do inconsciente. Quando o sujeito se depara com algo de si que não pode simbolizar.
Ou seja: a ansiedade, nessa perspectiva, não é um inimigo a ser eliminado, mas um sinal de que algo está em jogo.
Quando procurar ajuda?
Você não precisa esperar o colapso para buscar ajuda. Ao contrário: é no momento em que a ansiedade começa a tomar corpo — nas pequenas repetições, nas noites mal dormidas, nas crises silenciosas no meio do dia — que a escuta psicanalítica pode fazer a diferença.
Procure ajuda quando:
A ansiedade começa a interferir nas suas decisões.
O corpo manifesta sintomas sem explicação médica.
Você sente que está “sempre ligado” — sem descanso interno.
O medo de errar, decepcionar ou não dar conta te paralisa.
Você se pergunta “por que estou assim?” — mas não encontra resposta.
Mais do que aliviar: compreender
A psicanálise não busca conter a ansiedade com respostas rápidas. Ela propõe um percurso de elaboração, onde o sujeito pode colocar em palavras aquilo que o afeta. Falar é desarmar a angústia. É criar espaço para o que está comprimido internamente.
É claro que, em muitos casos, o suporte medicamentoso é necessário — e não há oposição entre psicanálise e psiquiatria. Mas apenas o remédio, sem escuta, pode silenciar o sintoma sem tratar o que o produz.
Uma escuta que transforma
Na clínica, o que se escuta não é a doença — mas o sujeito. E cada sujeito é único. Por isso, a ansiedade, embora comum, nunca é igual para todos. Para alguns, ela aparece como medo. Para outros, como urgência. Em certos casos, como bloqueio. Em outros, como aceleração.
A escuta psicanalítica respeita essa singularidade. E oferece um espaço onde o que se repete pode finalmente ser compreendido (e transformado).
Um convite
Se a ansiedade já não cabe mais só em você, talvez esteja na hora de deixá-la falar. E, com isso, escutar o que sua história tem a dizer. A psicanálise não é mágica. Mas é real. E, em muitos casos, libertadora.


